Adelmo Perdizza: por que alagamentos se tornaram constantes em avenida da zona sul de Ribeirão Preto

  • 12/02/2026
(Foto: Reprodução)
Ministério Público cobra solução para alagamentos na Avenida Adelmo Perdizza O acúmulo de sujeira, as falhas no sistema de drenagem, sobretudo nas barragens, além do aumento da impermeabilização do solo com o avanço imobiliário, são os fatores associados aos constantes alagamentos na Avenida Adelmo Perdizza, uma importante conexão do trânsito na zona sul de Ribeirão Preto (SP). Somente esta semana, com as chuvas intensas, o mesmo trecho de entroncamento com o Anel Viário Sul ficou tomado pelas águas e intransitável duas vezes. "São águas pluviais que vêm da rua, das galerias. A impermeabilização, a falta de drenagem, de roteamentos, as galerias entupidas, tudo isso vai contribuindo", afirma o engenheiro civil José Roberto Romero à EPTV, afiliada da TV Globo. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Os problemas na região são acompanhados por meio de um inquérito desde 2019 pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público, que marcou uma reunião para esta sexta-feira (13) para discutir as medidas a serem tomadas. Para o grupo, a solução passa por intervenções estruturais a serem estudadas juntamente com o município, Defesa Civil, além da concessionária responsável pela rodovia. Trecho da Avenida Adelmo Perdizza, em Ribeirão Preto (SP), alagou pela segunda vez na semana Guilherme Leoni/EPTV "Temos aí, com certeza, deficiências do sistema de drenagem e, a princípio, uma responsabilidade conjunta, que vem da contribuição do sistema de drenagem do município e também pode advir da contribuição do sistema de drenagem da rodovia", afirma a promotora de Justiça Cláudia Habib. LEIA TAMBÉM Avenida em Ribeirão Preto alaga mais uma vez e motociclista cai ao tentar atravessar trecho Volume de chuva em Ribeirão Preto, SP, já supera em 34% média prevista para fevereiro Em nota, a Prefeitura de Ribeirão Preto comunicou que tem feito limpezas constantes nas três barragens da cidade, que o trecho da Adelmo Perdizza é de responsabilidade da concessionária, e que tem mantido conversas para que a situação seja resolvida. A Entrevias, concessionária responsável pelo trecho da rodovia, por sua vez, informou que monitora o local com frequência, mas rebateu e alegou e que os alagamentos são causados pela ineficiência do programa antienchentes do município. Barragens problemáticas e falta de diques Um dos pontos críticos associados aos alagamentos, segundo o engenheiro ouvido pela reportagem, é o funcionamento das barragens. Nos últimos anos, a Prefeitura abriu três estruturas para controlar a vazão da água naquela região: uma barreira do distrito de Bonfim paulista: é a maior delas, tem capacidade para 500 milhões de litros de água e foi projetada para segurar o volume que desce da região sul antes de chegar à área central; uma barragem na região da Mata de Santa Tereza, com capacidade para 210 milhões de litros; uma barragem próximo a condomínios da Vila Virgínia. Barragem de contenção de água em Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV Apesar disso, o sistema tem sido ineficiente. O engenheiro civil menciona que a barragem de Bonfim Paulista tem conseguido segurar apenas parte do volume de água, enquanto a da Vila Virgínia está com os vertedouros rompidos e a barragem de Santa Tereza está prejudicada pelo acúmulo de sujeira. Para isso, além da limpeza periódica, o engenheiro civil sugere a construção de uma barragem intermediária. "Daria conta, foi calculado com o tempo de recorrência que a gente chama para uma chuva de 100 anos. Ali daria conta se ela estivesse desassoreada. Eu recomendo até nas secas, agora, desassorear", diz. Outro problema apontado pelo especialista é a ausência de diques de contenção que estavam previstos para a barragem de Santa Tereza, mas que nunca foram construídos. Sujeira em barragem de contenção da chuva em Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV "O objetivo do dique seria fazer a contenção das águas dentro da bacia a jusante, ou seja, antes da barragem. Então, com esses diques, a água não iria para a avenida. Seria uma contenção, um regulador de vazão." Romero ainda menciona que a expansão imobiliária na região somente agravou essa situação com menos áreas permeáveis para a água se infiltrar no solo. "Impermeabilizou muito mais o solo, teve mais construções, mais pavimentação, não tem captação de água no local. Por exemplo: se você fez um condomínio, tem jeito de fazer um posto de captação, porque isso até ajuda na recarga do Aquífero Guarani, uma pavimentação permeável também. (...) Nós precisamos evoluir nisso daí e temos técnicas de engenharia para isso." Projeto de combate a enchentes de Ribeirão Preto previa diques, mas eles nunca forma construídos. Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/02/12/adelmo-perdizza-por-que-alagamentos-se-tornaram-constantes-em-avenida-da-zona-sul-de-ribeirao-preto.ghtml


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